Páginas de uma diário esquecido

O 1º Dia


É outono, o frio começa a chegar,
Não fossem as folhas no chão,
Diria que estávamos em pleno Verão,
Porque estranhamente no dia de hoje está calor

Hmmm,como é bom sentir esta brisa quente
Que percorre as ruas da cidade,
Um belo dia para poder iniciar
Mais um capítulo, o secundário

Escola nova, amigos novos e outros nem tanto,
Parece que hoje é a apresentação do sítio,
Conhecer a turma e a escola,
Felizmente já conheço alguém, amigos do básico

E lá nos levam a conhecer a escola, tão grande
Vou-me perder aqui, tenho quase a certeza,
Enfim, avancemos, biblioteca, disposição de salas pela escola
E, espera, uma palestra,
Que seca! Porque não fiquei eu em casa

E lá vamos nós para umas completas
Duas horas de seca, repletas de
Coisa nenhuma, só espero que
Não demorem a começar

Tanto tempo para começar,"Que aborrecimento!",
Do que estarão à espera? Duma turma?
Cambada! Despachem-se tenho de ir embora
Tenho a tarde para jogar PC e fazer outras coisas
Bem mais interessantes que isto

Ah! Já chegaram, até que enfim, tanto tempo
Mas... quem é aquela? meu deus,
Vénus finalmente tem rival em termos de beleza,
Como pode um ser, ser tão belo? Que olhos...

Que olhos... Como que reflectem o azul do mar,
Como que iluminam todo o espaço em volta.
Não quero acordar! Não quero q nunca mais me acordem.
NÃO! Não me acordem peço-vos. Mas afinal,
Não é um sonho...

É real, É REAL! VIVA! Finalmente algo de bom acontece, até que enfim...
E eu nao consigo deixar de pensar que tudo isto é um sonho,
É demasiado bela para eu poder acreditar nos meus olhos,
Como pode alguém eclipsar tanto espaço em sua volta? Como?
Nada do que a rodeia eu vejo, apenas ELA

Que olhos... Num olhar capturam um momento para sempre,
Finalmente encontrei a derradeira musa,
A minha derradeira paixão, o meu fogo...
Aquele olhar jamais esquecerei

Bem, a palestra acaba, vamos todos para entrada à espera da boleia para casa,
Mas ELA não espera, vai com duas amigas para casa, deve morar perto
Mas... Espera... eu conheço aquelas duas, já as vi em qualquer lado...
Já sei! foi na sala de aula na apresentação da minha turma

É isso! Elas são da minha turma, e são amigas da minha eterna musa?
Meu deus, no que isto dará! Será q alguma vez a conhecerei
Não, não tenho hipoteses, ela nunca olhará para mim

Nunca para mim. Para milhões de pessoas que estão atras de mim no seu
Ângulo de visão, mas para mim nunca. Porque eu não sou belo
Porque eu simplesmente não sou nada comparado com ela. E ela é tudo.
Talvez noutra vida, na qual eu sou bonito e possa rivalizar com a sua beleza

Mas, como o destino é imprevisível e somos nós que o criamos,
Ainda hei-de tentar, qual é o mal? Pelo menos saberei
Se a resposta coincide com a minha opiniao de mim próprio

Nisto, pergunto ao meu grande amigo do básico, que estava ali comigo à espera,
Se ele por acaso sabe quem ela é.

Quem é a vénus de olhos azuis esverdeados, cabelo castanho,
Possuídora de uma perfeição de curvas inimaginável,
De tal modo, que todos os arcos que o seu corpo formava se ajustavam suave
E tranquilamente nos arcos que lhe seguiam, delineando assim,
Toda a sua magnífica essência de mulher

E ele diz-me: - Chama-se Mito
Memórias


O Início



Três anos se passaram,
Três anos que ficaram,
Três anos que se acabaram,
Nada mudou

Várias foram as paixões
Que nunca tive,
Muitas foram as ilusões
Que jamais terei

Apenas quis muito ter,
Sem me aperceber
Que tudo o que queria,
Eu não conhecia

Perdi-me em sonhos irreais,
Desejos por demais carnais,
Nunca vendo a verdade
Naquela crua realidade

Limites de loucura,
Momentos de insanidade,
Porque queria mudar a realidade
Porque sempre neguei a verdade

Nove foram as musas por quem me apaixonei
Nenhuma foi aquela com quem fiquei,
Ficaram apenas memórias das belas encantadas,
Com quem queria escrever belos contos de fadas

Num mundo acabado
Somente memórias parecem ter ficado,
Nelas alguém colocou
Os amores que ninguém sonhou
À Tua espera...


Tantas foram as musas que descrevi
Quantas aquelas que nunca conheci

Por demais descrever o que ousava fazer,
Fiquei-me pelo ver, e não pelo ter

Meus amores nunca foram reais,
Nunca foram carnais,
Foram nada, e esse nada para mim
Passou por tudo

Minha existência não faz sentido algum,
Minha memória é inexistente,
Meus poemas não têm dedicação

Talvez porque não soube ser,
Talvez porque nada teve importância,
Talvez porque não ouso gritar o nome de alguém

Sento-me aqui na sombra de um futuro
Que não tem um único raio de sol

Desespero na escuridão procurando a chama
A que um dia todos chamarão amor

Até lá vou morrendo, até lá vou esquecendo
Que um dia ninguém me amou...
Meu Amor...


Num mundo em que os sonhos
São feitos de algodão doce
Tu?
És esculpida apartir dos mais
Doces grãos de açúcar

Teu corpo?
É por demais o sonho da perfeição,
É o envolvimento de curvas simétricas
Cobertas pelas linhas finas e puras
De um novelo vermelho de lã

Teus lábios?
São finos, suaves e molhados,
Como um fio de água cristalina
Nascendo dos mais belos montes

Teu olhar?
Tão puro, fogaz e cheio de vida,
Que por vezes se enche de água
Querendo ser um lago de sal

Por vezes perco-me ao olhar-te,
Não a sentir-te, nem a beijar-te,
Tentando ver o que mais
Teus olhos podem esconder

Meu Amor?
Querendo gritar liberdade,
É um sonho murmurado
Que teme tornar-se realidade
Verdadeiramente...


Sempre sendo nunca estando,
Está aqui, ali, além,
Não importa o lugar
Só interessa o que vem

Fingindo ficar,
Ela fica além,
Pois o que ela pensa,
Não o vê em niguém

Voa em circulos infinitos
Procurando estar ali,
Só ela sabe quem segue
E quem segue está aqui

Ao ver aqui alguém ela sorri,
Porque sabe o que sente,
E o que sente
Estará em mim?